FAMÍLIA PIACSEK E ROBERTO BURLE MARX
FAMÍLIA PIACSEK
E ROBERTO BURLE MARX
Com certeza você já ouviu falar
em Roberto Burle Marx (1909 – 1994). Ele foi um dos mais importantes
paisagistas, artistas plásticos e arquitetos brasileiros, reconhecido
mundialmente pela sua contribuição ao paisagismo moderno. Ele revolucionou a
maneira de projetar jardins e espaços públicos ao incorporar plantas nativas brasileiras,
formas orgânicas e elementos artísticos aos seus projetos. Burle Marx também
era pintor, escultor, designer, cantor lírico e botânico autodidata. Sua
propriedade em Guaratiba (RJ) se transformou em um imenso viveiro de plantas e
centro de pesquisa botânica, hoje o Sítio Roberto Burle Marx,
reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial.
Dentre seus trabalhos podemos citar
o calçadão de Copacabana no Rio de Janeiro com o famoso desenho de ondas em
pedras portuguesas, o Parque do Flamengo (RJ), o Aterro do Flamengo (RJ), os Jardins
do Ministério da Educação e Cultura (atual Palácio Gustavo Capanema, RJ), o
paisagismo da Lagoa da Pampulha em Belho Horizonte e do Parque do Ibirapuera em
São Paulo, os Jardins de Brasília (em colaboração com Oscar Niemeyer e Lúcio
Costa) e o Jardim da sede da UNESCO em Paris.
CALÇADÃO DE COPACABANA - RIO DE JANEIRO - RJ
Mas o qual é a relação de Roberto
Burle Marx com a família Piacsek? Roberto Burle Marx nasceu em 4 de agosto de
1909, em São Paulo. Era filho de Wilhelm Marx, um alemão judeu que se
estabeleceu no Brasil, e de Cecília Burle, uma pernambucana de família
tradicional. Seu pai era um próspero comerciante, e sua mãe, uma mulher culta,
interessada por arte, música e jardinagem que transmitiu aos filhos grande
parte desse interesse. Com os pais levando uma intensa vida profissional e
social, coube a uma empregada da família fazer às vezes de babá do pequeno
Roberto. Essa empregada que se tornou babá era Anna Piacsek, uma das filhas que
veio da Hungria junto com o patriarca, Joszef Piacsek e que começou a trabalhar
para família Burle Marx em São Paulo no ano de 1903. Ainda pequeno, Roberto mudou-se com a família
e com Anna para o Rio de Janeiro, onde cresceu em uma casa com um grande
jardim. Nesse espaço, começou a desenvolver sua paixão pelas plantas e pelo
paisagismo, muito influenciado pela mãe, que cuidava do jardim e ensinava aos
filhos o apreço pela natureza.
Em 1928, já jovem, Burle Marx foi estudar pintura na Academia de Belas Artes de Berlim. Foi lá que, visitando o Jardim Botânico de Dahlem, se encantou ao ver plantas brasileiras organizadas e valorizadas de maneira científica e estética. Isso gerou nele uma consciência de que no próprio país essas espécies eram pouco conhecidas e subestimadas. Essa descoberta foi determinante para sua carreira. Ao voltar ao Brasil, decidiu dedicar sua vida não apenas à arte, mas também à criação de jardins que celebrassem a flora brasileira.
Anna Piacsek nunca se casou e não teve filhos. Continuou sendo a “babá” de Roberto até ela completar 102 anos de vida, quando faleceu. Roberto Burle Marx a considerava
uma segunda mãe e a homenageou com um quadro que ele pintou e deu o título de “Anna
Piacsek” (ver imagem abaixo). Ao completar cem anos de vida ela foi homenageada por
toda a família Piacsek e Burle Marx em uma grande festa no famoso sítio do
paisagista. Roberto faleceu em 1994 e os restos mortais de ambos estão
sepultados próximos ao sítio de propriedade da família nos arredores do Rio de
Janeiro.
Essa é mais uma curiosidade sobre a Família Piacsek no Brasil. Espero que tenha gostado.
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HENRIQUE LUÍS PIACSEK
05 DE JUNHO DE 2025









Sensacional!
ResponderExcluirMuito obrigado, caro amigo.
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