A CHEGADA DA FAMÍLIA PIACSEK NO BRASIL - A VIDA DE JOZSEF PIACSEK, O PATRIARCA PIACSEK NO BRASIL

 

OS PIACSEK DO BRASIL

Pesquisa elaborada por Emílio Henrique Piacsek em agosto de 2018

 

Jozsef Piacsek, com 61 anos de idade, chegou ao Brasil no Porto de Santos pelo vapor Manilla em 31 de Dezembro de 1897. Veio acompanhado de sua esposa Maria Valenta e nove filhos. O Arquivo Público do Estado de São Paulo disponibiliza a digitalização dos registro de entrada dos imigrantes no Porto de Santos e é possível obter a lista dos passageiro onde consta o registro da família Piacsek na lista de passageiros do Manilla acessando o link: https://www.arquivoestado.sp.gov.br/uploads/acervo/textual/mi_listavapores/BR_APESP_MI_LP_000354.pdf (O registro está na página 15, parte inferior. Observa-se que no registro alguns nomes foram grafados na língua italiana, nacionalidade do navio Manilla).

O navio “Manilla” foi construído na Inglaterra, em 1873 , e recebeu o nome de “Whampoa”. Foi rebatizado como Manilla em 1878. Em 1881 foi transferido para a “Navegazione Generale Italiana” . Fez sua última viagem em 28 de junho de 1903 e foi sucateado em 1907.


Dois outros filhos, José e Emilio, viriam poucos anos depois. Todos os filhos vieram solteiros. O grupo chegou a São Paulo, Capital, e se instalou em uma propriedade que adquiriram, nas cercanias de onde se localiza hoje a Vila Leopoldina.

 

Registro da família Piacsek na lista de passageiros do vapor Manilla que atracou no Porto de Santos em 31/12/1897

 

O grupo se integrou à sua nova pátria, filhos e filhas, principalmente os mais velhos, foram encontrando logo meios de se tornarem ativos economicamente. Alguns deles se lançaram como autônomos empreendedores outros como assalariados. É interessante observar que as atividades dos filhos homens eram de natureza técnica, nada ou pouco tendo a haver com a atividade tradicional de seus ancestrais, a atividade agrícola. Os filhos chegaram ao Brasil já com a formação profissional.

 

Jozsef Piacsek (sentado) com a esposa Maria (sentada, de roupa preta) e seus filhos em sua propriedade em São Paulo no início do Século XX. Na foto podemos observar alguns abacaxis, denotando a localização da propriedade  em um clima tropical.

 

O PATRIARCA DOS PIACSEK DO BRASIL

 

Sem dúvida, deve ter sido uma decisão difícil para Jozsef, sair de sua tradicional terra natal, para emigrar, com sua numerosa família, para um país pouco desenvolvido e culturalmente tão diferente. Pelo que nos é dado saber, esta histórica decisão teve sua origem em circunstâncias de um cenário socioeconômico e político adverso. Estas circunstâncias lhe causaram, ao longo de anos, um crescente problema financeiro sem perspectivas de melhorias.

 

Para tentarmos entender melhor este nosso patriarca e sua decisão, vamos reunir e analisar as informações disponíveis tanto em documentos daquela época, como em informes históricos, referentes a Hungria e a Europa, bem como em cartas de familiares relatando fatos desta época.

 

Jozsef, o patriarca, viveu uma vida de contrastes. Sabemos que viveu na cidade de Trencsen, e anteriormente na minúscula Prussina. Quando nasceu, em 18 de novembro de 1836, o domínio da Áustria sobre a Hungria persistia. Este domínio começou com a invasão Otomana, caracterizada pela derrota da Batalha de Mohac em 1526. Ao longo do tempo este domínio foi adquirindo diversas feições, mas nunca deixou de existir.

Em 1848, quando Jozsef completava 12 anos de idade, eclodiu uma sangrenta revolução na Hungria, inspirada nos movimentos de libertação ("primavera dos povos") que se espalharam rapidamente pela Europa. Foi necessário quase um ano e meio para a Áustria restabelecer o domínio completo sobre a Hungria. Como se podia esperar, seguiram-se muitas execuções e inúmeras prisões. Com isso instalou-se o absolutismo sobre a Hungria. Certamente estes acontecimentos e principalmente a comoção social, ficaram gravados na mente daquele menino. Jozsef, então passou a viver o absolutismo Austríaco dos seus 12 anos até os 32. No início o poder era exercido com a ajuda de informantes, espiões e polícia. Com o decorrer do tempo, a insatisfação húngara foi se avolumando, mas por outro lado o Império dos Habsburgos perdia seu vigor, notadamente o econômico. Napoleão III conquistou territórios austríacos (norte de Itália). A Hungria, apesar de tudo progredia economicamente. Entretanto as insatisfações húngaras prosseguiam. Certamente, o então jovem Jozsef viveu a orientação de Francis Deak, líder da nobreza húngara, no sentido de que o povo húngaro deveria exercer a resistência passiva perante os austríacos. Por exemplo, não mais ir aos postos de coleta de impostos e pagar o que seria devido. Deveriam aguardar em casa que os coletores aparecessem e falar com eles apenas em húngaro.

Em 1861, Joseph, com 25 anos, certamente vivendo no território considerado Eslovaco, presenciou outro fato interessante. Estabeleceu-se na Hungria a conclusão de que todos deveriam se unir contra a Áustria, quem sabe antevendo o seu enfraquecimento. Mas, no mesmo momento o congresso eslovaco pede que a Eslováquia passasse a ser um distrito húngaro. Observe-se que a Hungria estava submissa a Áustria e a Eslováquia submissa a Hungria. Não é difícil imaginar as incertezas vividas por Jozsef nesta época, uma vez que suas raízes eram eslovacas e vivia no território considerado eslovaco.

Mas o tempo foi passando e as condições da Áustria foram se alterando a ponto de em 1867, chegar-se a um consenso estabelecendo o Império Austro-Húngaro. A Hungria, apesar de monitorada por Viena, ganhava uma considerável autonomia se compararmos a sua situação anterior. O absolutismo deixou de existir. A empolgação se espalhou pela Hungria, que por 5 a 6 anos experimentou um notável progresso. Certamente Jozsef também foi contagiado por este clima, mesmo porque com seus 31 anos de idade na época da unificação Austro-Húngara tinha certamente uma visão clara dos acontecimentos. Parece ter sido o melhor período de sua vida.

Jozsef decide então constituir família. Não temos dados de seu casamento. Entretanto temos comprovação de um fato imediatamente subsequente: em 13 de Outubro de 1873, nascia Bertha, a sua filha primogênita, fruto de seu matrimônio com Jozefina Korineck. Ainda neste marcante ano, no dia 9 de maio, a Bolsa de Valores de Viena sofreu uma quebra causando pânico não só aos que perderam dinheiro com ações, mas a muitos empresários húngaros devido a crise econômica que se sucedeu e afetou significativamente toda a economia por anos. A Hungria voltou a progredir, mas em ritmo menor, com distorções e correções de rumo. Ainda neste ano de 1873 em que Jozsef completaria 37 anos, recebeu a aprovação para exercer o cargo de Juiz de Paz, de Illawa, uma cidade vizinha de Trencsen. Uma condição auspiciosa para quem se casou tardiamente, mas conseguiu uma fonte estável de renda. Esta estabilidade não foi duradoura.

Esta aprovação para exercer tal cargo, que era cercado de muito reconhecimento e respeito, indica, entretanto que financeiramente algo não ia bem para o nosso patriarca. A História registra claramente que a pequena nobreza ligada à terra daquela época, estava sofrendo diversas dificuldades, entre elas a formação de latifúndios na Hungria, os quais, tendo escala de produção e meios para se modernizarem, podiam oferecer seus produtos a preços muito baixos, inviáveis de serem praticados pelos proprietários de glebas menores, tornando-as inviáveis. Consequentemente, estas glebas menores perdiam o seu valor de alienação. Obviamente acabavam nas mãos de algum latifundiário a preço vil. O governo interveio, ou tentou intervir neste processo, pois considerava estes proprietários menores como verdadeiros patriotas. Decidiu então oferecer, ou encaminhar estas pessoas a atividades remuneradas na esfera pública, estabelecendo uma maneira de subsídio. Assim, o nosso patriarca foi beneficiado para iniciar a sua vida de casado.

Temos em mãos a comprovação documental de que Joszef foi aprovado para exercer o cargo de Juiz de Paz na localidade de Illawa, situada nas proximidades de Trencsen. Existem informações transmitidas verbalmente entre familiares confirmando que Joszef atuou num cargo publico. Este fato constitui importante indício que ele deveria estar passando por alguma dificuldade econômica e que seus ancestrais devem ter vivido uma boa situação socioeconômica, certamente fazendo parte das pessoas influentes regionalmente, ligadas à terra.  

RELATO VERBAL

Emilio Guilherme, neto do patriarca, tinha em casa uma moeda com um furo no meio. Relatava que esta moeda, entre outras, teria sido colhida pelo patriarca Jozef, em uma de suas andanças, para coletar impostos na região em que morava. Ele e seu grupo, deslocando-se por uma estrada tiveram que parar e aguardar que algumas explosões ocorressem, pois uma nova estrada estava sendo implantada ali, requerendo tal procedimento, provavelmente para partir alguma rocha que impedia a construção da nova via.Todos se surpreenderam quando após uma destas explosões, inúmeras moedas foram arremessadas ao ar espalhando-se naquela área. Muitos colheram algumas destas moedas espalhadas, inclusive o nosso patriarca. Pois bem, esta moeda furada, acima mencionada, teria sido colhida pelo patriarca nessa ocasião.

 

De uma maneira ou outra Joszef prosseguiu em sua vida. Os filhos se sucediam. Em janeiro de 1882, nove anos após o nascimento de Bertha, aconteceu um grande infortúnio. Jozefine, sua esposa, falece no parto de seu quinto filho, nascido no dia 11 de janeiro de 1882. Jozsef, então com 45 anos, viu-se com um recém-nascido nas mãos além dos outros quatro filhos pequenos.

Jozsef casou-se novamente, logo depois, com Maria Valenta, que tinha então 28 anos de idade. Maria era noiva de um amigo de Jozsef, amigo este que tinha morrido em uma escaramuça. Não temos dados de quando ocorreu o segundo matrimônio de Jozsef. Sabemos apenas que Paulo, o primeiro filho oriundo desta relação, nasceu no ano seguinte a 25 de Abril. Outros cinco filhos se sucederam ao longo dos anos. Caroline, a caçula, nasceu em 26 de Fevereiro de 1894.

Temos informes de que Jozsef teve uma outra infelicidade. Não tão trágica como o falecimento de sua primeira esposa, mas impactante em sua situação financeira, que já não andava bem. A certa altura dos acontecimentos, teria feito uma escolha infeliz. Teria apoiado politicamente opositores dos situacionistas que tinham propiciado a Jozsef o mencionado cargo público. Como os situacionistas ganharam aquela eleição, Jozsef teria perdido o cargo público que exercia, como represália.

Os mesmos informes relatam que Jozsef teve mais dissabores. Desentendeu-se com um suposto grupo de ciganos que acabou por destruir toda a sua plantação de uvas, atividade a que se dedicou após perder seu emprego público. Mesmo que não tenham sido ciganos os opositores de Jozsef, outros poderiam ser, pois Jozsef, como proprietário e possivelmente pertencente a família tradicional pode ter sido hostilizado por integrantes de movimentos proletários da agricultura apenas por ser propietário. Nesta época iniciava-se a organização das forças do proletariado rural húngaro, um fator de tensão da área social e política, que pode explicar o acontecido.

Poderíamos denominar o período de 15 anos que se passaram desde o início do segundo matrimônio até a emigração da família em 1897, como sendo o período conturbado da vida do patriarca. Neste período o patriarca parece ter tentado diversas opções de sobrevivência. Não temos informes documentados a respeito, apenas relatos verbais, mencionados em cartas de familiares, sujeitas, portanto a ênfases pessoais.

Em uma das cartas de Ernesto Piacsek (neto de Jozsef) para sua prima Edith Piacsek que morava nos Estados Unidos, ele menciona que o patriarca teria mudado de cidade e poderia ter se deslocado até a Bósnia ou lugar equivalente (ver figura abaixo). Edith, também neta de Jozsef, relata em carta que por ocasião do nascimento de sua mãe, Caroline Piacsek, a caçula do patriarca, a família morava em Bratislawa, que não é tão distante de Trencsen (120 Km)Na mesma carta, Edith conjectura que “eles devem ter vivido antes, por algum período, em Praga. Estas informações teriam sido passadas a ela por Gabriela Marx, que tinha um contato diário com Anna Piacsek, uma das filhas mais velhas do patriarca e que certamente tinha estas informações bem claras na mente, pois na ocasião era uma adolescente. É importante notar é que Jozsef, com sua numerosa família, em condições financeiras problemáticas, sem o seu emprego que servia como subsídio e sem perspectivas, encontrava-se em dificuldades, mas longe de uma situação de degradação.


Carta de Ernesto Piacsek para Edith Piacsek em setembro de 1992

 

Nesta época, surgia na Hungria outros movimentos de unificações de forças trabalhistas em adição a certos movimentos e pressões políticas exercidos pelas minorias étnicas, ignoradas pela Áustria e mesmo pela Hungria na condição de parceira da Áustria. A industrialização na Hungria estava em marcha, atraindo parte da mão de obra disponível do campo, apesar de muito pouco preparada. Os trabalhadores industriais mais qualificados eram importados e ganhavam altos salários.

Na Hungria de então ocorria também um enorme êxodo populacional, principalmente para os Estados Unidos. Certas cartas entre familiares, relatam que Jozsef estaria pensando inicialmente em emigrar também para os Estados Unidos, mas mudou de ideia, pois teria recebido uma carta de um amigo do Brasil, informando que ali haveria grandes condições de progresso. Jozsef mudou de planos, apesar de ter encaminhado as suas filhas para o aprendizado da língua inglesa para poderem se comunicar nos Estados Unidos. Isto mostra que apesar de toda dificuldade, Jozsef tinha ainda uma certa autonomia financeira, pelo menos para se preparar para viver na possível nova pátria. Mostra ainda que o seu planejamento não era de curto prazo. Não temos até aqui, maiores detalhes destes últimos anos em que antecederam a viagem para o Brasil. Pode-se inferir que o processo de maturação desta decisão deve ter sido demorado, pois nenhum dos filhos se casou antes de emigrarem, mesmo tendo idade para isso. Bertha, a primogênita, emigrou com 27 anos de idade, Anna com 24 anos, Josef veio ao Brasil dois anos mais tarde com 27 anos. O mais velho do segundo matrimônio, Paulo Piacsek, tinha 17 anos nesta ocasião. A caçula, Caroline, tinha apenas 3 a 4 anos quando chegou ao Brasil.

A pressão psicológica sobre Jozsef deve ter sido enorme. Por mais que tivesse espírito desprendido ou mesmo aventureiro no sentido de ousar na busca de alternativas, apesar de sua idade e do tamanho do grupo que dependia dele, ele decidiu emigrar. Veio com reservas suficientes para comprar uma propriedade e propiciar um novo inicio de vida a seus filhos. Edith Piacsek menciona em carta que o dinheiro que foi utilizado para a família iniciar vida nova foi o deixado pela primeira esposa, Josefine, para suas filhas como dote. O que temos documentado é uma sentença judicial destinando uma certa quantia (5209 forints) aos filhos de Josefine (1º matrimônio). Se estas quantias foram consideradas como dote por Edith, ou se existiu outro montante destinado somente às filhas, não se sabe. Também ainda não se conseguiu avaliar se a quantia mencionada tem um valor compatível com o suposto uso.

Os últimos acontecimentos antes da emigração para o Brasil estão obscuros. Ernesto Piacsek declara desconhecedor os detalhes, enquanto que Edith Piacsek, a partir de informações verbais passadas por Anna Piacsek a Gabriela Marx, relata em carta que Jozsef estaria endividado, decidindo então deixar o país sorrateiramente com sua família,  alegando que estaria saindo em viagem de férias para retornar em seguida. Na verdade, eles partiram para Itália, de onde viajaram para o Brasil.

Jozsef faleceu em São Paulo em 18 de Dezembro de 1905. Foi sepultado no cemitério do Araçá (Lote 20 Quadra30). Viveu apenas 8 anos em sua nova pátria. Foi o suficiente para abrigar a família em um imóvel de propriedade da mesma e propiciar o reinício de vida da família. Os primeiros netos brasileiros já tinham nascido, alguns filhos já trabalhavam.


OS PRIMEIROS ANOS NO BRASIL

Jozsef deve ter vindo ao Brasil com algum relacionamento pessoal estabelecido, especificamente aquele "amigo” que recomendou a sua vinda ao Brasil em vez dos Estados Unidos. Outro indício de que tinha um relacionamento até certo ponto diferenciado é o fato de que o seu atestado de óbito foi assinado pelo Dr Walter Seng, médico vienense  que era na época muito conceituado, conforme mencionamos no nosso texto anterior aqui no Blog. Dr. Seng, em 1905, estava empenhado fundação do então Sanatório Santa Catarina, hoje Hospital Santa Catarina. Hoje Dr Seng é considerado o co-fundador daquele estabelecimento pioneiro da área hospitalar e até existe uma rua com seu nome no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Tornou-se o primeiro diretor clínico daquele hospital. Permito-me conjecturar que este tipo de assistência a alguém que chegara há pouco tempo ao Brasil indica um certo destaque.

 

Rua Dr. (Walter) Seng no bairro da Bela Vista, São Paulo - SP.

Tudo indica que durante os primeiros anos de Brasil, a família chegou a explorar a sua propriedade para cultura de subsistência da família. Esta propriedade serviu também de base para os filhos, principalmente os mais velhos buscarem seus meios de sobrevivência na cidade de São Paulo.

 

MARIA VALENTA PIACSEK


Temos poucas informações desta mulher que assumiu os filhos do primeiro matrimônio do Patriarca e teve muitos outros filhos com ele. Ela o acompanhou nos longos e difíceis anos que antecederam a viagem de emigração e os primeiros anos de Brasil. Pouco se sabe além da informação já citada de que teria sido noiva de um amigo ou filho de um amigo do patriarca, que veio a falecer em uma escaramuça. Temos uma informação verbal de que foi uma boa mãe para os filhos do primeiro matrimônio assim como para os seus próprios. Esta mesma informação relata ainda que foi húngara. (minoria eslovaca).

Num cartão postal enviado por Josef a seu pai Jozsef, o patriarca, pode-se constatar um tom extremamente respeitoso do filho para com o pai e uma menção em adição, igualmente atenciosa e respeitosa à sua madrasta, denominando-a de “nossa mãe”.

 

JOSEPHINE PIACSEK NASCIDA KORINEK - PRIMEIRA ESPOSA DE JOZSEF

Apesar de Josephine não ter sido ancestral imigrante, achamos oportuno tecer alguns comentários sobre ela. Ela foi a primeira esposa de nosso patriarca e viveu com ele anos de muita esperança. A economia e a política fomentavam este clima. Tiveram 5 filhos, vindo a falecer no parto de Emílio, o quinto filho, em 1883.

Ela pertencia a uma família de destaque. Tomando-se como referência a certidão de batismo de sua filha Anna, inferimos que o patriarca e sua família, durante o primeiro matrimônio, viveram em um pequeno povoado chamado Prussina. A citada certidão de batismo indica que Anna foi batizada naquela cidade.

Corroborando com a ideia de que o casal morava em Prussina, encontramos na qualificação do patriarca, que consta no certificado de sua nomeação como Juiz de Paz em Illawa, como sendo “Prussienensis”. Não podemos afirmar que o Patriarca nasceu lá ou somente morava ali, naquela época.


RELATO VERBAL

Emilio Guilherme, neto do patriarca, relatava um fato dos primeiros tempos, demonstrando que as circunstâncias vividas naquela propriedade dos Piacsek pioneiros eram um tanto selvagens e mesmo perigosas. Emilio relatava que certa vez a matriarca Maria foi apanhar um balde de água em um córrego que passava na propriedade, próximo da residência e ela e todos os presentes se assustaram quando descobriram uma cobra naquela balde. O incidente não teve maiores consequências. Não passou de um susto, mas deixa nos saber um pouco dos hábitos e circunstâncias que existiam lá naqueles tempos.

 

 

ALGUNS FATOS SOBRE ALGUNS DOS FILHOS E FILHAS DE JOZSEF


ANNA PIACSEK

 

Anna foi trabalhar com os Burle Marx em 1903, quando então esta família ainda vivia em São Paulo, antes de se deslocar para o Rio de Janeiro. Anna ficou com esta família até o fim de sua longa vida. Ela chegou aos 102 anos de idade. Ela exerceu uma forte influência sobre o filho mais ilustre daquela família, o paisagista Roberto Burle Marx, reconhecido internacionalmente. Anna é mencionada em suas biografias. Roberto a homenageou de diversas maneiras, como, por exemplo, pintou um quadro em sua homenagem ( https://www.catalogodasartes.com.br/obra/ADeePA/. ) Os restos mortais de ambos estão sepultados próximos ao sítio de propriedade da família nos arredores do Rio de Janeiro.

 


                           Quadro "Anna Piacsek" pintado por Roberto Burle Marx

 

BERTHA PIACSEK

Bertha também enveredou pelo serviço doméstico. Não temos informes de quando iniciou seu trabalho. Sabe-se que trabalhou muitos anos com a mesma família. O último endereço do local em que trabalhou é de uma residência situada na Rua Edson, no Bairro do Campo Belo, na zona sul da capital São Paulo.

 

JOSEF PIACSEK (avô de meu pai, Emílio Henrique Piacsek)

 

José, o filho mais velho do patriarca Jozsef, chegou ao Brasil junto com seu irmão Emílio, por volta de início de 1901, pois a carteira de trabalho de Emilio, seu irmão, indica que ele ainda estava na Europa em Agosto de 1900. José permanecera na Hungria por três anos após a saída da família a fim de terminar o serviço militar. Durante este período, Emílio, o seu irmão, também ficou por lá para concluir um curso de fabricação de embutidos em Bratislawa.

 

José, chegando ao Brasil, deve ter encontrado com Luiza assim que chegou, encantando-se de imediato, pois casaram em pouco tempo. O primeiro filho deles nascia no fim de Dezembro de 1902 (Emílio Guilherme Piacse). Pelo que consta, montou sua oficina de serralheria na Rua Vitória, na capital paulista. Posteriormente transferiu-a para a Rua (Hoje Avenida) Barra Funda 401.Tudo indica que iniciou as atividades profissionais assim que formou família.

  

RELATO VERBAL

 

Emilio Guilherme, neto do patriarca, relatava que durante a sua infância, a família dele vivia em condições financeiras muito limitadas. Dizia que seu berço fora um caixote e sempre que falava sobre o assunto dava ênfase que o inicio de vida daquela família foi muito difícil e limitada, contrastando com certa bonança experimentada por ele em sua mocidade, quando usufruía automóveis, motocicleta e mesmo uma longa viagem à Europa.

 


O bairro paulistano da Lapa acabou se tornando um polo de atração para alguns dos jovens Piacsek, pois era o centro urbano mais próximo da propriedade dos Piacsek, localizada na Vila Leopoldina.

Informações disponíveis indicam que HERMINE PIACSEK montou um estabelecimento na Lapa. Algumas versões indicam que foi um restaurante, outras uma pensão e até um botequim é mencionado.

Há documentos que indicam que PAULO PIACSEK, morou na Rua 12 De Outubro no bairro da Lapa em 1913. Paulo atuou por muitos anos como confeiteiro. Nunca casou e tinha uma natureza introvertida. Chegou a acumular alguns imóveis, fruto provável de poupanças ao longo de sua vida. Trabalhou na fábrica de chocolates Sönksen, uma empresa muito conhecida na época. Paulo teria vivido algum tempo em companhia de Hermine, no seu estabelecimento, o que nos leva a pensar que este estabelecimento estivesse localizado na Rua 12 de Outubro.

 

Não dispomos de muitas informações sobre os demais filhos de Jozsef Piacsek, mas estamos reunindo relatos e documentos para podermos passar a todos um pouco mais de histórias sobre todos. Sobre meu

Espero que vocês tenham apreciado a história do patriarca Piacsek no Brasil. Em próximas publicações vamos contar um pouco mais sobre alguns detalhes da família, de sua origem e de alguns de seus membros. Tenho várias histórias para contar sobre meu avô, Emílio Guilherme Piacsek (Filho de Josef Piacse e neto do patriarca), com quem tive a oportunidade de conviver por bons e felizes anos. 

Se você é um Piacsek aqui do Brasil e tiver informações ou histórias sobre seus antepassados e quiser compartilhar com todos, deixe seu comentário aqui no Blog ou envie um e-mail para familia.piacsek.brasil@gmail.com que teremos grande alegria de publicar sua história aqui no Blog. 

Agradeço a atenção de todos e fiquem à vontade para postar seus comentários e sugestões.

HENRIQUE LUÍS PIACSEK

29 DE OUTUBRO DE 2023




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