SERIAM HÚNGAROS OS PIACSEK?
Pesquisa elaborada por Emílio Henrique Piacsek
em junho de 2012
Sabemos que o nome da família
não é de origem húngara, como se supõe e sim eslava. Sabemos também que os
Piacsek viveram por séculos numa região dominada pelos húngaros, mas estes constituíam
a pequena minoria da população da região de Trencsen onde os Piacsek habitavam.
Mesmo o título de nobreza
confirmado aos irmãos Piacsek (aguarde a publicação com essa interessante história)
no final do Século XVII, no reinado de Leopoldo I (Sacro Império
Romano-Germânico), pode se enquadrar numa postura contrário ao povo magiar (húngaros)
desenvolvida pelo imperador Habsburgo, pois consta que ele teria reconhecido “não
magiares” como nobres para contrapor uma força à aristocracia húngara da época
que gerava frequentes levantes contra os Habsburgos.
Mapa
da Europa no final do Século XVI
Cumpre notar que nesta época a
Hungria estava dividida pelo menos em três territórios, dois dos quais
dominados pelos turcos que a invadiram e dominaram desde os primórdios do
Século XVI. A região “independente” da Hungria se resumia a uma faixa
territorial próxima da Áustria. Este território era denominado como Hungria
Real, e era dominado pelos Habsburgos. Os eslavos, que eram a maioria da população
eram subjugados aos húngaros que por sua vez, eram dominados pelos austríacos.
A capital da Hungria remanescente era Bratislava (atual capital da Eslováquia),
onde ocorreram diversas coroações de reis da Hungria.
Os Piacsek eram nativos desta
região, num condado próximo à Bratislava de nome Trencsen, mesmo nome de sua
cidade principal. De certo modo, viviam ligados aos Habsburgos. Foram
reconhecidos como nobres por eles e tiveram um familiar que se tornou um
General que lutou em defesa dos Habsburgos, sendo condecorado por estes. Não
dispomos de nenhum indício de ligação entre os Piacsek e autoridades ou aristocratas
húngaros.
Cidade
de Trencsen (Trencin), na Eslováquia atualmente
Observando os Piacsek que
imigraram para o Brasil, vamos notar que nenhum dos filhos e mesmo seus
descendentes se casaram com húngaros. Mesmo o patriarca, Joszef Piacsek, em sua
terra natal, não desposou esposas com nome de família húngaro. Nos Piacsek há uma
alta incidência de matrimônios com parceiros de origem germânica. A colônia
húngara no Brasil, apesar de diminuta, existia em São Paulo. José, filho do
patriarca, foi o primeiro diretor tesoureiro de uma sociedade beneficente
húngara em São Paulo. Portanto, os Piacsek estavam expostos a contatos com
húngaros aqui no Brasil, o que não foi o suficiente para ocasionar algum matrimônio
com cônjuges húngaros.
Joszef
Piacsek, o “Patriarca” (barba branca) com filhos e esposa em sua propriedade em
São Paulo no início do Século XX
Emílio, filho de José e neto
do patriarca visitou a Hungria na década de 1920. Uma frase dele resumia uma
resposta recorrente à pergunta da origem da família Piacsek: “Ninguém da
família é de Budapest”. Nesta época a Hungria já havia perdido muitos
territórios em função do Tratado de Trianon, que estabeleceu uma nova ordem no
local, reconhecendo diversas minorias eslavas e outras. A região de Trencsen
deixou de pertencer à Hungria, passando a fazer parte da então Tchecoslováquia
e atualmente, Eslováquia.
TENTATIVA DE CONCLUSÃO
Alinhando-se os fatos acima
enunciados, parece-nos que não havia uma proximidade ou afinidade dos Piacsek
com Húngaros. Existia uma provável aproximação com o lado germânico,
representado pelos austríacos. Estes, além de próximos geograficamente à terra
natal dos Piacsek, dominavam os húngaros e muitas vezes se valeram de apoio
eslavo para contrabalancear a influência húngara nas áreas dominadas pelos Habsburgos.
Parece claro que os Piacsek
viviam entre três polos: as usa raízes elavas, os austríacos (Habsburgos) e os
húngaros. Admitimos que os Piacsek se aproximaram dos austríacos, mas tinham
sempre em mente sua origem eslava. Entretanto, por uma necessidade de
sobrevivência, tiveram que administrar simultaneamente do domínio húngaro por
séculos.
O domínio húngaro não procurou
integrar os eslavos no seu contexto, pelo contrário, tentaram impor aos eslavos
uma “magiarização” forçada. Parece que isto polarizou os ânimos. Em outras partes
do mundo, os mais diversos grupos étnicos foram assimilados na população
majoritária, como ocorreu nos Estados Unidos da América, Brasil e outros.
A ausência de assimilação
eslava pelos húngaros e mesmo pelos austríacos sempre foi origem de pressões
internas nos territórios dos Habsburgos. Denota também o fato inconteste de que
a nacionalidade das minorias eslavas persistia a existir apesar de muitos
séculos de subjugação. O Tratado de Trianon, no final da 1ª Grande Guerra,
reconheceu o fato. A Comunidade Internacional reconheceu o direito a território
destas minorias.
Antes da 1ª Grande Guerra, na
segunda metade do Século XIX, a ordem social naquela região se alterou. Ao lado
de uma certa industrialização, progrediam os primeiros movimentos do
proletariado. No entanto, pano de fundo ainda era a vocação agrícola da Hungria
com o fortalecimento de latifúndios.
Este cenário causou sobra de
mão de obra e o desaparecimento de muitos pequenos proprietários, o que
ocasionou um êxodo, através de maciças emigrações aos Estados Unidos.
O nosso patriarca, com seu
nome adaptado ao húngaro, em dificuldades financeiras, por certo tinha uma dificuldade
em definir-se por alguma nacionalidade. Para os húngaros era um eslavo, para os
eslavos era um de seus conterrâneos, mas com ligações com os dominadores. Para
os decadentes austríacos não passava de alguém pertencente à uma minoria de um
povo dominado pelos húngaros. Mesmo o destaque secular dos Piacsek na região
parece não ter anulado a circunstância acima enunciada.
À luz
destas considerações podemos achar natural que os casamentos dos Piacsek
imigrados não tiveram cônjuges húngaros. Até faz sentido o atestado de óbito de
nosso patriarca ter sido assinado por um famoso médico austríaco residente no
Brasil, Dr. Walter Seng, que na ocasião (1905) gozava de grande prestígio, pois
estava envolvido na inauguração do Hospital Santa Catarina na nascente Avenida
Paulista (https://www.apartamento203.com.br/2018/10/23/sobre-o-hospital-cheio-de-historia-santa-catarina/).
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