O ESPÓLIO DE JOSEPHINE (KORINEK) PIACSEK
A PRIMEIRA ESPOSA DE JOSZEF PIACSEK
Joszef Piacsek, o patriarca dos Piacsek no Brasil, casou-se duas vezes em sua vida. Do seu primeiro casamento com Josephine Korinek nasceram os filhos Berta, José, Anna, Hermine e Emílio. Seu segundo casamento foi com Marie Valenta, com quem teve os filhos Paulo, Margarida, Alexander, Gisela, Victor e Caroline. Para os membros da família, consulte a planilha com a árvore genealógica da família na publicação de 27 de outubro no grupo FAMÍLIA PIACSEK NO BRASIL do Facebook (https://www.facebook.com/groups/247945268251849/permalink/251223221257387).
Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre a história da primeira esposa de Joszef e o seu legado para a família Piacsek. O texto abaixo foi escrito por Emílio Henrique Piacsek, meu pai. Para a elaboração do texto foram utilizados documentos da época, cartas de antepassados, pesquisa bibliográfica e relatos verbais.
Henrique Luís Piacsek
O ESPÓLIO DE JOSEPHINE (KORINEK)
PIACSEK
Josefhine Korinek, esposa de Joszef Piacsek, o patriarca, veio a falecer no parto de seu quinto filho, Emílio, em janeiro de 1883. Este infortúnio gerou um profundo impacto na família, pois Joszef repentinamente se viu só e com cinco filhos pequenos para cuidar. A família prosseguiu com um segundo matrimônio entre Joszef e Marie Valenta.
O falecimento de Josephine gerou um documento, uma sentença judicial determinando o destino de um valor que supostamente seria o seu espólio.
A família Korinek, da qual Josephine descendia, deve ter vivido um padrão de vida destacado na sociedade local de então. Tal afirmação deve-se ao valor que Josephine herdou, oriundo de um imóvel a que tinha direito.
Estimando-se, mesmo que aproximadamente, o valor do espólio de Josephine no montante na época de 5.209 HUF (Florins Húngaros ou Forintes), chega-se ao seu equivalente em ouro 900 de 4,2 Kg.
Edith, neta de Joszef Piacsek, em carta de 23 de outubro de 2003 faz menção a um dinheiro que Josephine teria deixado como dote para suas três filhas. Relatando que este dinheiro teria sido utilizado para pagar a vinda da família para o Brasil.
Edith, em carta anterior, escrita em 17 de setembro de 2003, afirmava que Joszef teria emigrado às escondidas, alegando sair de férias para a Itália, mas na verdade estava emigrando para o Brasil. A razão deste subterfúgio teria sido o seu insucesso no cultivo de uvas e consequente endividamento. Atitudes deste tipo eram usuais entre húngaros e demais habitantes dominados pelos austríacos. Era a resistência passiva que existia entre húngaros e suas minorias em oposição aos austríacos que após sufocarem a Revolução de Lajos Kossuth (1848), passaram a impor um controle muito severo da vida social e econômica naquela região.
Outro fato relativo ao mencionado espólio é o que consta no documento jurídico que define o destino do valor disponível com o falecimento de Josephine. De acordo com a tradução deste documento, providenciada por Ernesto Piacsek (neto de Joszef), o juiz definiu que a quantia a ser dividida seria destinada a todos os filhos (citando nominalmente os cinco filhos dela), e não somente às meninas como um dote, o que se choca com a afirmação de Edith. O que se tem de concreto é que este dinheiro provém de um imóvel, como mencionado acima. O tradutor escreve em um português sofrível que O Sr. Escrivão do Cartório Civil da comarca de Ilosva resolve sobre uma compra e venda de imóvel de inventário sobre os menores. Nota-se que o documento original foi emitido em 1891, cerca de nove anos após o falecimento de Josephine.
Independentemente do conflito de informações acima exposto, podemos afirmar que o casal Joszef e Josephine dispunha de valores consideráveis. Observa-se que o montante acima referido é originário de um determinado imóvel e que outros bens ou valores pertencentes à Josephine poderiam ter existido. Por outro lado, é lícito supor que Joszef também teria alguns bens o que nos leva a concluir que o casal Joszef e Josephine pertenciam à um grupo social de destaque naquela época e naquela região.
Cabe notar também a postura de Joszef que apesar de dificuldades financeiras não utilizou os valores destinados aos filhos dele com Josephine. Está claro que os Piacsek chegaram ao Brasil com algum dinheiro, permitindo um reinício de vida bastante razoável para a família toda em um país muito estrando a eles. Compraram uma propriedade no bairro paulistano da Vila Leopoldina, montaram uma fábrica de embutidos para Emílio operar bem como uma oficina de serralheria para José se estabelecer. Fica assim apenas um indício de que a herança deixada por Josephine tenha ajudado não só seus filhos, mas a família toda.
Emílio Henrique Piacsek – maio de 2012







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